Mapeando a geometria delicada do tempo, da memória e do espírito.
Unguento
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Não aguento...
É como se estivesses na minha pele...
Um unguento!
Preparação rara que me afasta do chão,
E me põe a olhar para o tecto...
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Comentários
Anónimo disse…
é assim nós seguimos com chão por baixo dos pés e a cabeça para o céu!
Anónimo disse…
sim realmente à coisas que nos põem a olhar para o tecto. unguentos que paralisam o corpo, que promovem a letargia, e assassinam a ambição, estão entre os meus preferidos.
Na paragem, as pessoas e os seus cansaços empenham-se na contagem impaciente. O painel digital anuncia o último minuto de espera pelo descarrilado há pelo menos vinte. O pôr-do-sol chegou primeiro... Há algo nos descarrilados que distorce o tempo e o estende infinitamente.
O espaço é inevitavelmente afectado! A lotação teórica permitida é praticamente espezinhada, prensada com a soma de ligeiros empurrões cínicos com origem na frente, causando sérias repercussões nas traseiras. Paguei o bilhete, guardei-o no bolso e deixei-me levar pela corrente. Há calor, falta de ar e uma mistura espontânea de aromas humanos fora da validade percorre-me as narinas ao som dos auriculares da passageira que se encontra nas minhas costas. Aquilo finalmente parou! Estiquei o braço direito, o pé esquerdo levantou cinco centímetros e agarrei-me ao varão gorduroso vertical metalizado. Os cabelos cinzentos e encaracolados de uma passageira anciã faziam-me cócegas no antebraço e a fome começava ...
Urge! Iminente a espera interminável que em vão me esforço a ignorar... Mas vou chegar primeiro! Pelas trincheiras e refúgios, por terra, mar ou ar, ou pelo que quer que seja que se atravessar! Vou-me levantar e brindar, Aos fragmentos recolhidos e aos estilhaços por encontrar...
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unguentos que paralisam o corpo, que promovem a letargia,
e assassinam a ambição, estão entre os meus preferidos.