Café pingado na esplanada
Houve um dia em que uma mosca de asas azuis pousou na minha orelha direita. Fiquei perplexo! Como poderia ela sobreviver à exposição ao odor do meu sovaco esquerdo? Zunzum fez ela. Que ousadia! Rapidamente a afugentei com a mão e entornei com o cotovelo o café pingado em cima da mesa de plástico, repleta de inscrições ilegíveis feitas com fogo e objectos afiados. O céu estava a ficar negro e uma leve brisa provocava ondulações na superfície do café pingado. Vesti o fato de mergulho e fui explorar as profundezas do mar turvo que acabara de entornar. É bom andar prevenido com o equipamento de mergulho, pensei, enquanto mergulhava nas profundezas e me recompunha do fracassado efeito repelente que segrego do sovaco esquerdo. A visibilidade era quase nula e estava muito quente. De repente, senti o meu corpo rodopiar sem ter qualquer direcção que conseguisse tomar.
Quatrocentas e noventa e sete voltas sobre mim próprio e aquilo parou… Feliz o momento em que entornei o café acidentalmente ...