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A mostrar mensagens de 2009

Nós

Os meus olhos desejaram os teus, Porque arqueavam a íris, sem chuva nem sol nem céus… As minhas mãos acariciaram as tuas, Porque tranquilizavam a cabeça de quem contara mil luas… Os meus ouvidos e a tua voz, Deram-me as notas soltas que apertaste com mais de trezentos nós…

Manifeustações

Surpreendem-me as manifestações do meu ser. Sei que são minhas porque se revelam intrínsecas a algo exterior. Chego sempre sem saber para onde ia, E as batatas por cavar fazem-me salivar.

Sobem leves... breves...

Encontram-se frequentemente... Não acreditam em destinos e não têm medo de se perder: só não se perde quem não ousa sair do seu corriqueiro trilho. Algo os eleva e os une. Uma força intangível revela-se, perceptível. O vapor abandona o café na caneca e enrosca-se nas ondas de fumo do cigarro. Sobem leves... breves... E juntos, desaparecem…

XXXV

Imagem
Na paragem, as pessoas e os seus cansaços empenham-se na contagem impaciente. O painel digital anuncia o último minuto de espera pelo descarrilado há pelo menos vinte. O pôr-do-sol chegou primeiro... Há algo nos descarrilados que distorce o tempo e o estende infinitamente. O espaço é inevitavelmente afectado! A lotação teórica permitida é praticamente espezinhada, prensada com a soma de ligeiros empurrões cínicos com origem na frente, causando sérias repercussões nas traseiras. Paguei o bilhete, guardei-o no bolso e deixei-me levar pela corrente. Há calor, falta de ar e uma mistura espontânea de aromas humanos fora da validade percorre-me as narinas ao som dos auriculares da passageira que se encontra nas minhas costas. Aquilo finalmente parou! Estiquei o braço direito, o pé esquerdo levantou cinco centímetros e agarrei-me ao varão gorduroso vertical metalizado. Os cabelos cinzentos e encaracolados de uma passageira anciã faziam-me cócegas no antebraço e a fome começava ...