Sobem leves... breves...
Encontram-se frequentemente...
Não acreditam em destinos e não têm medo de se perder: só não se perde quem não ousa sair do seu corriqueiro trilho.
Algo os eleva e os une. Uma força intangível revela-se, perceptível.
O vapor abandona o café na caneca e enrosca-se nas ondas de fumo do cigarro.
Sobem leves... breves...
E juntos, desaparecem…
Comentários
POETA CASTRADO, NÃO!!!
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
é tão vulgar que nos cansa
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
a morte é branda e letal
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
José Carlos Ary dos Santos
Entre leves e breves sobe-se-me a alma aos três mil pés.
Sobem leves... breves...
Vale pelo som da pausa, do repouso pois que leves e breves não duram.
Que subam leves... que sejam breves...